Um dos grandes nomes da música regionalista, José Claudio Machado nos deixou,e foi para a querencia do céu. Natural de Tapes, o cantor e compositor tinha 63 anos e estava internado no Hospital Mãe de Deus,há seis meses para tratar de um enfisema pulmonar.Apesar de suas complicaçoes o gaúcho véio não deixava do fumo. Segundo o amigo e companheiro de composições Mauro Moraes, assim que o corpo for liberado, o velório será na Câmara de Vereadores de Guaíba, onde ele viveu seus últimos anos.
Machado foi o grande vencedor da Califórnia da Canção Nativa em sua segunda edição, em 1972, época de ouro do grande festival de Uruguaiana que hoje é considerado patrimônio cultural do Rio Grande do Sul. A canção Pedro Guará, que lhe deu aCalhandra de Ouro, foi composta em parceria com Cláudio Boeira Garcia e se tornou uma das mais conhecidas de seu vasto repertório – ela deu título a um de seus álbuns mais conhecidos, gravado em 1990.
O músico também ficou conhecido por interpretações como a de Pêlos, Milonga Abaixo de Mau Tempo e Campesino e pelas duas passagens pelo grupo Os Serranos, a última na segunda metade dos anos 1980, quando gravou o disco Isto É… Os Serranos. Machado também tocou com Os Tapes, Bebeto Alves, Luiz Marenco e Mauro Moraes e gravou 14 CDs, o último delesOs Melhores Sucessos de José Claudio Machado, de 2007.
Foi um dos idealizadores do Parque da Harmonia, hoje identificado como reduto dos tradicionalistas sobretudo no período que antecede o 20 de setembro.– Aquilo ali era primeiro um aterro, nós íamos fazer churrasco, passar o dia, jogar bocha. Um dia saiu um acampamento. E, quando se viu, era um parque – declarou, em uma de suas últimas entrevistas.
A morte do compositor, músico e intérprete José Cláudio Machado abre-se uma lacuna em nossa cultura regionalista.
Dado a sua infância e a juventude vividas no campo, em Tapes, e o aquerenciamento na Fazenda Alto Paraíso, em Guaíba, onde morava, ele era um artista integrado ao meio rural.
Por sua origem e essa vivência da qual nunca abriu mão, José Cláudio se expressava com propriedade, sem exageros no linguajar gauchesco e sem modismos, aos quais nunca aderiu.
Seu verso e sua música nativistas traduzem singular conhecimento dos temas cantados e composições como Pedro Guará e Pelos fazem parte do valioso legado musical que nos deixa, nos encanta e a todos continuará encantando ao longo dos tempos, certamente.
Em nosso sentir, caberia aos responsáveis pela cultura nos municípios onde viveu este mestre do cantar galponeiro e campesino valorizar seu talentoso trabalho artístico, para que o mesmo não se perca e sirva de modelo e inspiração a outros talentosos José Cláudio Machado que vivam anonimamente entre nós.
